Crédito à habitação: escolher taxa fixa ou variável?

A opção pela compra de casa própria tem vindo a aumentar em Portugal, numa altura em que as condições apresentadas pelos bancos se tornam também mais atrativas. O facto de o mercado de arrendamento estar a sofrer fortes valorizações também ajuda a pensar seriamente na opção de compra. A decisão que se segue é saber se o melhor é optar por uma taxa variável ou por uma taxa fixa num contrato de crédito.

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Crédito à habitação: escolher taxa fixa ou variável?

Qual a diferença entre uma taxa fixa e uma taxa variável?

A maior parte dos portugueses estão habituados a lidar com taxas variáveis no crédito à habitação. Neste caso, a taxa de juro do empréstimo é o resultado da soma do indexante ou taxa de referência, que é a Euribor, e o spread (margem definida por cada banco). Como o próprio nome indica, a taxa pode variar conforme muda a Euribor -- a taxa que tem por regra três períodos de referência, de três, seis ou 12 meses. Como as taxas de juro de referência estão a níveis baixos, os consumidores beneficiam com taxas Euribor igualmente baixas que, em alguns casos, estão mesmo a níveis negativos.

Ao contrário, a taxa fixa implica a contratualização de um valor mensal entre o cliente e o banco, que se pode manter inalterada até ao final do contrato, independentemente das oscilações das taxas no mercado. Em alternativa, a taxa fixa pode ser definida apenas para um período do empréstimo, geralmente os primeiros anos. Neste caso, o banco usa como referência a taxa fixa que se pratica no mercado interbancário, a chamada taxa swap.

Como saber o que é mais vantajoso?

Para saber qual a opção mais favorável, os consumidores devem começar por fazer simulações, tendo em conta os seus rendimentos, o valor do crédito e todos os encargos associados. Quando se realiza as simulações online para avaliar o custo total do crédito é importante não esquecer os seguros de vida e multirriscos, por regra associados a estes contratos de crédito.

Logo aqui, é preciso fazer uma ressalva. As simulações são feitas com os dados atuais, o que no caso das taxas variáveis é muito subjetivo. Sobretudo no caso de créditos com prazos mais longos não é possível prever se não haverá subidas mais repentinas das taxas de juro de referência. Neste caso, o consumidor será prejudicado. Mas a tendência contrária -- descidas mais acentuadas das taxas de juro -- também pode acontecer, o que por sua vez beneficiará o consumidor.

Outra nota importante refere-se aos prazos dos empréstimos. Nem todos os bancos fazem contratos de taxa fixa para prazos mais longos, caso de créditos a 30 anos.

Para uma decisão mais clara é importante tomar nota de alguns pontos importantes.

O que esperar de uma taxa fixa?

- O consumidor protege-se da incerteza associada à evolução das taxas de juro de referência ao longo dos anos.

- Para compensar a incerteza, o consumidor poderá pagar mais. As simulações que se podem fazer atualmente apontam para encargos mais elevados no caso da taxa fixa quando comparada com a taxa variável, sobretudo nos prazos mais longos.

O que esperar de uma taxa variável?

- Há uma maior incerteza no valor a pagar todos os meses. Apesar de não haver oscilações repentinas de subida das taxas de juro de referência, isso não é impossível de acontecer, o que pode levar a mensalidade a disparar. Da mesma forma, uma forte redução das taxas fará baixar bastante os encargos mensais.  Neste momento, as taxas aplicadas no mercado estão baixa, o que torna esta opção mais atrativa.

- Uma vez que o banco adiciona o spread à taxa de juro, o cliente pode negociar uma redução desta margem. Geralmente isso acontece quando os clientes adquirem outros produtos ou serviços financeiros.

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