Prémio de risco: o que influencia nas suas alterações?

Tome nota: as economias dos países em crise terão que enfrentar as duras provas impostas pelas condições dos prémios de risco. Prémios de risco que são o termómetro pelo qual são avaliadas as solvências nacionais, as quais ao mesmo tempo representam um fator para garantir a rentabilidade das obrigações do tesouro colocadas nos mercados secundários de dívida. Mercados secundários nos quais quem efetua o intercâmbio de títulos de dívida não são os titulares originais. Obrigações e mercados de dívida, em qualquer caso, com os quais os países procuram administrar uma parte do seu financiamento. Por prémio de risco entende-se um prémio exigido pelos investidores que querem adquirir dívida de um Estado com respeito ao preço base marcado pela Alemanha. Um país e uma economia utilizados como referência pela sua estabilidade, solvência e segurança.

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O prémio de risco e a sua influência psicológica

Num plano psicológico, o prémio de risco é um diferencial aplicado à comercialização das dívidas nacionais que permite a cada país negociar a venda de obrigações. A margem aplicada a cada Estado seria, por definição, uma fórmula pela qual seria proporcionada aos investidores uma segurança acrescida, em cada conjuntura económica nacional.

Os países com prémios de risco altos são os países que foram catalogados pelas agências de avaliação de riscos como candidatos a serem maus pagadores ou não oferecerem garantias de pagamento, visto ser hábito as suas despesas correntes superarem os depósitos. Situação que impediria pagar aos investidores que adquiriram dívida.

A rentabilidade das dívidas nacionais é fixada pelos leilões nos mercados primários de dívida, nos quais os titulares das dívidas vendem, por eles mesmos, os títulos. Cada país faz as suas emissões de dívida a um juro e a um preço que muda de acordo com a procura que exista para esses títulos ou o prazo estipulado para o seu vencimento.

Preço que, uma vez que tenha sido acordada a sua venda, não alterará durante todo o tempo de vigência da dívida. Daí a importância que tem, para os Estados, conseguir boas rentabilidades e, para os investidores, obter melhores garantias.

Prazos da dívida

Os títulos de dívida podem ser colocados a curto prazo, para vigências de acordos contratuais até 18 meses; ou a longo prazo para os acordos contratuais de 3 a 30 anos, conforme os casos. Quanto maior for o prazo de vigência da dívida, maior é a exigência de rentabilidade dos investidores, que investem com o handicap de que não poderão dispor dos fundos investidos até que o prazo da dívida termine.

Os grandes compradores de dívida soberana são, sobretudo, fundos de investimento internacionais e instituições bancárias.

Em tempos de crise económica, como os atuais, a compra de dívida alemã é a estrela. Outros países com dificuldades económicas e afetados pela atual recessão têm mais problemas em colocar a sua dívida soberana nos mercados secundários e, por isso, têm mais dificuldades para se financiarem.

As notas de avaliação

O papel das notas de avaliação creditícia é chave para a colocação das dívidas soberanas. As agências mais importantes e influentes, encarregadas de fixar as tabelas, são a Moody's, a Fitch e a Standard & Poor´s. São sociedades cuja missão é avaliar os valores negociáveis, de acordo com a segurança de cada um dos investimentos.

São agências que avaliam os históricos de pagamento dos emissores, os Estados e as vicissitudes económicas que enfrentam no presente e os vários futuros, ameaças e riscos das transações.

O sistema de avaliação dos titulares de dívida é o sinal que permite aos investidores medir a quem oferecem obrigações. A máxima avaliação e melhor perspetiva para os investidores, é o triplo A, um alto desempenho. O sistema de cálculo não é infalível, tal como o demonstraram as qualificações de alguns tipos de hipotecas norte-americanas anteriores à crise, que foram classificadas com um triplo A sem o merecerem.

A referência habitual para calcular o prémio de risco é comparar, nos mercados secundários, a diferença que existe entre as obrigações a dez anos do país em questão e as da Alemanha. Já sabe: nas transações, tem influência a maneira como se comportam os mercados primários a respeito da venda desses títulos. Apesar de serem dois canais de comercialização de títulos diferenciados, ambos se retroalimentam entre si e fazem parte do mecanismo da tomada de decisões dos investidores e dos critérios de avaliação das agências que avaliam os prémios de risco.

Os prémios de risco são fixados em pontos percentuais revistos periodicamente. Mas representam um fator potencialmente disruptivo quando os Estados acabam por se endividarem a longo prazo para obter financiamento externo, com o qual continuam a funcionar, proporcionando os seus serviços aos cidadãos.

Esse é o fator de risco dos prémios de risco, sob regras de jogo de financiamento que os Estados com economias mais vulneráveis pouco ou nada podem controlar.

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