Poupança das famílias no primeiro trimestre de 2017

Durante bastante tempo, o número de famílias em dívida apresentou valores em queda, mas contra o previsto, os primeiros meses do ano de 2017 revelaram-se negativos para as famílias com créditos vencidos. No final de março eram 579 850 os agregados faltosos na central de responsabilidades de crédito (CRC) do Banco de Portugal.

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Poupança das famílias no primeiro trimestre de 2017

A redução da taxa de desemprego criou uma esperança nas pessoas, refletindo-se num crescimento quanto ao consumo privado. Em 2015 e 2016, a banca concedeu crédito, no entanto os rendimentos obtidos foram insuficientes para respeitar os compromissos estabelecidos.

Portugueses em incumprimento

As poupanças realizadas durante o período de maior austeridade da crise não conseguiram assegurar os investimentos feitos e o fantasma dos créditos malparados veio assombrar a vida de muitos portugueses novamente. O incumprimento aconteceu tanto no crédito ao consumo como no crédito à habitação, mas o crédito à habitação é o que teve maior expressão e representa sempre maior preocupação para a economia, porque as famílias só em último lugar deixam de pagar o crédito à habitação.

Histórico de poupanças

No poupar é que está o ganho. Parece que esta frase está a voltar a fazer sentido para os portugueses. Em 2017, 13% das famílias afirmava fazer poupanças regulares, uma percentagem bem superior se comparada com os 4% de famílias que em 2016 conseguiam poupar regularmente. No que respeita às poupanças pontuais, houve também uma subida ligeira de 29% para 32%. Contudo o elemento mais relevante a destacar é a queda do número de famílias que se dizem incapazes de qualquer poupança: de 59% para 47%.

Poupar, hoje

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, no final de março de 2017, mais de um quarto dos portugueses (27,4%) perspetivava-se sem oportunidade de realização de poupança nos próximos 12 meses, um valor muito próximo dos 26,9% que à data se diziam incapazes de poupar. Isto revela uma consciência das famílias sobre a sua condição económica atual que não prevê grandes melhorias ao longo do ano.

Viver no limite do rendimento, segundo a expressão «chapa ganha chapa gasta» ainda é uma realidade para muitas famílias para quem os imprevistos são uma verdadeira tormenta no orçamento doméstico. No fim do primeiro trimestre, os números mostravam que os agregados familiares que conseguiam fazer poupança para as adversidades, apenas conseguiam pôr de lado 6,9% do seu rendimento mensal. No final do mês de abril, o volume de poupança era já de 8,4%; e apenas 25% das famílias não perspetivava poupar para as adversidades; a par dos 25,8% que se mostrava incapaz de poupar.

O crescimento da economia portuguesa resultará de maiores investimentos das empresas, mas sobretudo de maiores taxas de poupança pública e privada, para que o relativo equilíbrio das contas externas persista.

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