Portugal sai do “vermelho” após seis anos de vulnerabilidade

Resgatado em 2011, Portugal viveu sob a ajuda internacional durante quatro anos. Desde aí, o país esteve sempre no “vermelho”. Ou seja, mesmo depois de ter saído do programa de resgate, continuava a ser considerado um país vulnerável e com sérios riscos de não conseguir pagar os empréstimos concedidos pelos credores internacionais.

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Portugal sai do “vermelho” após seis anos de vulnerabilidade

Mas isso foi só até 2016. No ano passado, Portugal deixou de constar na lista de avaliação de “alto risco”, segundo um documento do Mecanismo Europeu de Estabilidade, ou MEE, divulgado no passado mês de abril.

Numa escala de 1 (muito vulnerável) a 4 (muito resiliente), o fundo de resgate permanente da Zona Euro atribuiu uma nota de 2,0 pontos a Portugal em 2016. Foi, assim, a primeira vez desde 2009 que o país saiu do 2,0 pontos, uma vez que desde aí tem oscilado entre 1,7 pontos e 1,9 pontos.

Nos últimos seis anos, as principais preocupações relacionadas com a economia portuguesa prendiam-se, entre outros, com a robustez económica e com a situação orçamental. Estas condições registaram melhorias em 2016, ano em que o único ponto a vermelho fica confinado às necessidades e condições de financiamento e à estrutura da dívida nacional.

Portugal melhora, mas pouco

Apesar da melhoria registada na avaliação do ano passado, Portugal continua a destacar-se pela negativa sendo o segundo pior país entre os governos resgatados. Pior, só mesmo a Grécia (1,8 pontos), ainda bem distante da Irlanda (2,7 pontos) e da média dos restantes países da Zona Euro (também 2,7 pontos).

De acordo com o documento do MEE, esta metodologia utilizada teria sido capaz de identificar antecipadamente os problemas dos países que acabaram por atravessar graves crises financeiras. Entre eles, Grécia, Portugal, Espanha, Chipre e Irlanda. Aliás, as vulnerabilidades soberanas portuguesas teriam sido classificadas de “risco elevado” em 2005”, passando a “alto risco” em 2009.

Portugal acabou por pedir ajuda financeira em 2011 devido ao baixo crescimento e ao elevado nível da dívida, tendo recebido um resgate de 78 mil milhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. O programa de resgate chegou ao fim em 2014 depois de anos de políticas de austeridade, altura em que o nível salarial dos portugueses sofreu fortes reduções e que a taxa de desemprego disparou.

Um cenário que já faz parte do passado. Neste momento, Portugal atravessa uma fase de crescimento económico, que deve atingir os 1,8% este ano, de acordo com as previsões mais recentes do Governo. Além disso, o país abriu caminho para o eventual encerramento do procedimento por défices excessivos, depois de ter fechado 2016 com um défice orçamental correspondente a 2% do produto interno bruto.

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