Porque sobem ou descem os preços do petróleo?

O movimento dos preços do petróleo nos mercados internacionais respeita a regra da procura e da oferta. Sempre que há excesso de oferta, os preços descem. Quando há escassez de oferta, os preços sobem. Mas não é só. Há outros fatores que podem fazer mexer o preço do crude.

Publicado por Finanças | 0
preços do petróleo

Desde o verão de 2014, altura em que os preços do petróleo atingiram um pico acima dos 100 dólares por barril, a queda foi vertiginosa. Em dois anos, os preços caíram cerca de 70% e só no final deste ano registaram uma recuperação devido ao acordo de corte da produção alcançado no seio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, ou OPEP.

Mas afinal porque subiram os preços até julho de 2014 e porque caíram vertiginosamente depois dessa data? Os preços subiram até 2014 devido a alguns fatores:

- Grandes investimentos e inovações tecnológicas que foram introduzidas no processo de produção e que levaram os preços a disparar numa altura de fraco crescimento;

- Os EUA avançaram com a revolução do chamado petróleo de xisto, que tem custos de produção mais elevados.

- As fortes taxas de crescimento dos mercados emergentes fizeram aumentar as expectativas de consumo e, logo, impulsionaram o investimento.

- Ruturas no fornecimento de grandes produtores, como a Líbia, o Irão, a Rússia e o Iraque, juntamente com tensões geopolíticas ajudaram a dar suporte aos preços, mesmo quando já havia sinais de abrandamento da economia mundial.

Mas isto foi até ao verão de 2014. Nessa altura, a bolha dos preços rebenta e os preços entram numa trajetória de forte queda recuando para valores em torno de 30 dólares por barril. O que contribuiu para esta queda?

- Os sinais de abrandamento do crescimento económico global, nomeadamente da China que é o segundo maior consumidor de petróleo do mundo, tornam-se evidentes e a produção estava a ser claramente excessiva;

- Os países da OPEP decidem não compensar a queda dos preços com um corte da produção e inclusivamente aumentam a produção para defender quota de mercado.

Na relação entre a oferta e a procura, no verão de 2014, o fator determinante foi o excesso de oferta. Apesar de ter havido alguma recuperação nos primeiros dois trimestres de 2015, os preços voltaram a cair. Desta vez, a responsabilidade foi da queda da procura. O que contribuiu para a queda da procura?

- Condições climatéricas mais amenas durante a época de inverno nos EUA e na Europa;

- Sentimento e expectativas económicas baixas nas maiores economias emergentes.

O resultado destas tendências, levou os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, ou OCDE, a registarem níveis de reservas de petróleo historicamente elevados.

Durante todo este período, não só a OPEP aumenta os níveis de produção, como é decretado o fim do bloqueio económico do Ocidente ao Irão (janeiro de 2016) e este país começa novamente a comercializar petróleo no mercado internacional.

NO 2017, subida dos preços do petróleo

Mas isso foi até ao final de novembro deste ano. Com o aproximar do final do ano, os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, ou OPEP, chegaram finalmente a acordo para reduzir a produção a partir de janeiro de 2017.  

Além desta aprovação interna, o cartel também chegou a acordo com grandes produtores, como a Rússia, alargando o âmbito de corte da produção. Desta forma, a relação entre a procura e a oferta tenderá para um maior equilíbrio e, por isso, a tendência é já de subida dos preços do petróleo, que atualmente se situam em torno dos 55 dólares por barril.

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