Juros da dívida portuguesa sobem após reunião do BCE

A dívida portuguesa é sobejamente conhecida por ser astronómica, e no ano de 2016 bateu recordes: 719 550 mil milhões de euros, um número que alarma pela dificuldade de leitura e conceptualização.

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Juros da dívida portuguesa

A reunião do Banco Central Europeu

Depois da reunião do Banco Central Europeu (BCE), as palavras do seu presidente, Mário Draghi, em conferência de imprensa agitaram os mercados europeus. Embora, em conferência de imprensa, ele tenha referido que não foi discutida qualquer quebra no financiamento das economias endividadas da zona euro.

Conclusões da reunião

O Banco Central Europeu resolveu, pois, estender o programa de compra de dívida até dezembro de 2017, mas reduziu o montante a investir, isto é, de 80 mil milhões de euros até março, passará para 60 mil milhões mensais a partir de abril, até ao fim do ano.

Reações das bolsas

Neste seguimento, houve fortes reações de subida das taxas no prazo para empréstimos a 10 anos, diferentes das sentidas nos empréstimos a curto e médio prazo para os restantes países.

O receio sobre os benefícios económicos do desinvestimento gradual repercutiu imediatamente na subida das taxas de juro da dívida nacional portuguesa, em todos os prazos. Há que perceber se foi uma subida circunstancial ou se é esta a tendência nacional para os próximos tempos.

Na sessão da bolsa de dia 8 de dezembro, as Obrigações do Tesouro a 5 anos subiram 18 pontos base para 2,17% e a 10 anos cresceram 21 pontos base para 3,73%, rivalizando com a eleição de Trump a 8 de novembro, que gerou uma subida de 20 pontos base.

Consequências futuras

Portugal poderá sofrer com a redução do montante investido, porque necessariamente o banco Central Europeu será obrigado a abrandar o ritmo de compras de dívida portuguesa, uma vez que não tendo havido uma flexibilização destes limites, rapidamente atingirá o limite de compras fixado.

Se não fosse o auxílio do BCE, os juros ultrapassariam os 5%. Ainda assim, os juros da dívida pública, em mercado secundário, rodam os 3,7%, o que é preocupante para o crescimento económico do país, que apesar tudo cresce, mas lentamente à volta dos 3%.

Estratégias de crescimento

O Banco de Portugal sugere algumas ações para reverter a tendência de agravamento de juros a que o país está sujeito: continuar a consolidação orçamental, manter as reorganizações estruturais nos mercados de produto e de trabalho, aperfeiçoar as condições do sistema financeiro, estabilizar o quadro fiscal.

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