Euro: uma história de altos e baixos

“Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe.” Esta parece ser uma das máximas aplicadas ao euro, a moeda forte da Zona Euro, um projeto que tem suscitado muitas dúvidas sobretudo depois da crise financeira de 2008. Porquê?

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Euro: uma história de altos e baixos

A prova de fogo mais recente do euro foi a primeira ronda das eleições presidenciais francesas, que fez tremer os investidores devido à possibilidade de Marine Le Pen, candidata da extrema-direita, poder sair vitoriosa. Contudo, a vitória de Emanuel Macron, independente centrista, tranquilizou os mercados, que levaram a moeda única a disparar 1,9% contra o dólar dos EUA para $1,0935, o valor mais elevado desde novembro.

Embora a segunda volta permaneça no consciente dos investidores, o euro, que até então perdia terreno contra o principal adversário, descreve agora uma tendência crescente. Na verdade, a história do euro tem sido uma história de altos e baixos.

Porque nasce o euro?

O euro foi criado em 1999 com o intuito de potenciar os benefícios políticos e económicos da União Europeia, acabando por ser adotado por 19 Estados-membros com a supervisão do Banco Central Europeu.

Apesar de ser mais caro do que o dólar, o euro nunca conseguiu destronar a nota verde quando falamos de moeda de preferência dos países para as suas reservas de câmbio ou como refúgio dos investidores em tempos de incerteza. Ainda assim, apreciou consideravelmente contra o dólar desde a sua criação, embora atualmente negoceie perto da paridade.

A crise económica de 2008 foi um dos pontos altos do euro, assumindo o estatuto de porto seguro para muitos investidores que começaram a abandonar as aplicações denominadas em dólares devido ao crash do mercado imobiliário e à queda do sistema financeiro nos EUA. A moeda única chegou mesmo a registar vários máximos perto de $1,60.

Os efeitos da crise financeira

Contudo, a crise económica e financeira acabou por chegar ao velho continente, criando alguns dissabores, nomeadamente o facto de vários países europeus terem de pedir assistência financeira, a possibilidade de saída de Estados-membros da Zona Euro e de se ter questionado a existência da própria divisa.

Mas nem as perspetivas económicas europeias menos animadoras foram capazes de prejudicar significativamente o euro durante o expoente máximo da crise. Em 2009, a moeda ainda cotava perto dos 1,50 face ao dólar, seguindo-se uma forte queda quando começaram a ser anunciados os primeiros resgates a países europeus.

Houve depois fases de altos e baixos, com a moeda a afastar-se cada vez mais dos seus máximos históricos. Por exemplo, em 2011 - ano em que Portugal foi também obrigado a pedir um resgate financeiro - o euro voltou a subir, mas desta vez para um pico de cerca de 1,48. E, desde 2015, a moeda não conseguiu ultrapassar os 1,20 na relação com o dólar, estando atualmente a negociar abaixo de 1,10.

A pressionar a moeda está não só o contexto político e económico dos dois lados do Atlântico - os vários atos eleitores agendados para os países do Euro em 2017, as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia ou a chegada de uma nova administração aos EUA - mas também a divergência entre as políticas monetárias das duas regiões. Enquanto na Europa as taxas de juro continuam inalteradas em níveis historicamente muito baixos, associadas a políticas de estímulo do Banco Central Europeu, nos EUA a Reserva Federal começou já uma trajetória de subida das taxas de juro que tem beneficiado o dólar.

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