A fraca empregabilidade dos estágios profissionais

Os estágios são uma oportunidade para os jovens completarem a sua formação num contexto profissional e são também uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Mas será que, na prática, é isso que acontece? Os números mostram que não é bem assim.

Publicado por Finanças | 1
A fraca empregabilidade dos estágios profissionais

Nos últimos anos, mais empresas abriram a porta aos estagiários com a ajuda de dinheiros públicos que se destinam a fomentar o emprego dos jovens recém-formados, muitas vezes a aguardar anos por uma oportunidade. A medida chama-se Estágio Emprego e é gerida pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Este instituto paga atualmente estágios de nove meses, assumindo 80% das despesas, ficando os restantes 20% a cargo da empresa que recebe o estagiário. O objetivo é promover a inserção de jovens no mercado de trabalho ou a reconversão profissional de desempregados.

O resultado foi um grande aumento do número de estágios. Se de 2008 até 2012 a média anual de estagiários era de cerca de 25 mil, em 2014 e 2015 esse número disparou para 70 mil. Já os números da empregabilidade dos estagiários contam outra história.

Apesar de haver um aumento dos estágios, a verdade é que foram relativamente poucos os que conseguiram ser contratados. Isto “significa que o volume de contratados não acompanhou  a  enorme  subida  do  número  de  estagiários”, como refere o estudo “O labirinto das políticas de emprego” do Centro de Estudos Sociais - Laboratório Associado da Universidade de Coimbra. Segundo dados do Banco de Portugal, relativos a 2014, apenas um terço dos estágios acabou por se transformar num contrato de trabalho.

Também o Tribunal de Contas chamou à atenção para os fracos níveis de empregabilidade dos estágios financiados pelo Estado. Olhando para as contas de 2014, o Tribunal de Contas conclui que apenas um terço dos jovens acabou por ficar na empresa onde realizou o estágio.

A fraca empregabilidade dos estagiários e a utilização dos apoios financeiros para criar postos de trabalho precários não se verificou apenas no setor privado. O mesmo aconteceu na Administração Pública Central e Local através do Programa  de  Estágios  Profissionais  na  Administração  Central (PEPAC) e do Programa de Estágios Profissionais na Administração Local (PEPAL).

Má utilização dos estágios pagos

As empresas não só não empregaram grande parte dos estagiários como têm sido acusadas de usar os estágios remunerados pelo Estado como uma forma de ter mão-de-obra mais barata, que vai sendo ciclicamente substituída usando os recursos públicos. Só em 2015, o Estado gastou 197,5 milhões de euros com o programa de estágios segundo os relatórios do IEFP.

À má utilização dos estágios do IEFP juntaram-se notícias, divulgadas no verão de 2016, de que algumas empresas estavam a obrigar os jovens a custearem os 20% dos custos que não eram financiados pelo Estado. Noutros casos, as empresas estavam também a obrigar as empresas a pagarem a contribuição para a Segurança Social. 

COMENTÁRIOS

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    07/04/2017 10:44 HORAS

    Sim esses estágios não trazem beneficio para ninguém senão as empresas que exploram os estagiários e de seguida os mandam embora. As empresas não deviam poder ter novos estagiários durante 4 anos senão contratarem pelo menos 75% dos estagiários que passaram por lá.

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