Crédito à habitação: famílias voltam a apostar na compra de casa

Os portugueses estão a optar cada vez mais pela compra de casa. Depois dos anos da crise, em que o crédito à habitação sofreu um forte recuo e o arrendamento voltou a ser uma alternativa, 2017 voltou a registar valores elevados relacionados com a compra de casa.

Publicado por Finanças | 0
Crédito à habitação

Por dia, desde o início do ano e até ao final de abril, estão a ser concedidos 20 milhões de euros em empréstimos para a compra de casa. Os dados são do Banco de Portugal e mostram também que mais de metade do crédito (55%) concedido pelos bancos nacionais está reservado à habitação. Já cerca de 30% do crédito vai para o consumo e quase 15% destina-se a outros fins.

Estes dados revelam um contexto de melhoria dos indicadores económicos - aumento da taxa de crescimento da economia, queda do desemprego e melhoria dos índices de confiança -, dando mais margem às famílias para contraírem empréstimos para a compra de casa. Ao mesmo tempo, é também o reflexo de uma maior competitividade entre os bancos pela concessão de crédito à habitação, que levou mesmo a uma queda dos spreads cobrados aos clientes.

Segundo os dados do Banco de Portugal, a taxa de juro média dos empréstimos bancários para particulares, habitação e novas operações passou de 2,16% em 2015 para 1,72% em abril deste ano.

Melhor ano desde 2010

A opção pela compra de casa está também relacionada com algum esgotamento do mercado de arrendamento, como explica Filipe Garcia, economista da IMF ao Jornal de Negócios: "(…) a escassez de alternativas para arrendamento que é reportada por muitas imobiliárias também poderá influenciar as famílias a decidir-se pela compra de habitação".

Só em abril, os bancos emprestaram 536 milhões de euros para a compra de casa. Somado aos valores dos meses anteriores do ano, o total de crédito à habitação ascende a 2,3 mil milhões de euros. Desde 2010 que Portugal não via um começo do ano com números tão elevados.

Preços das casas refletem aumento da procura

O reflexo da opção pela compra de casa, por mais famílias portugueses, acabou por refletir-se naturalmente nos preços. Segundo dados do INE, referidos no mais recente Boletim Económico do Banco de Portugal, os preços aumentaram 7,1% em 2016, depois de terem registado uma subida média de 4% em 2014 e 2015.

Por sua vez, esta tendência refletiu-se também nos valores das avaliações dos imóveis por parte dos bancos. Em 2016, os preços das avaliações aumentaram quase 4% em relação ao ano anterior.

COMENTÁRIOS

20185
22701
5
0