Crédito à habitação: portugueses pagam cada vez menos

Comprar ou arrendar? Esta é a pergunta que muitos portugueses fazem quando pensam em mudar de casa. Olhando para os dados mais recentes sobre o crédito à habitação, a opção de compra está a ficar mais barata, ao mesmo tempo que as notícias sobre o arrendamento apontam para valores cada vez mais elevados, sobretudo nas grandes cidades.

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Crédito à habitação

Basta olhar para os spreads aplicados ao crédito habitação em 2011 e comparar com os valores atuais. Há seis anos, precisamente quando começou a crise financeira em Portugal e o país viu-se obrigado a pedir um resgate internacional, o spread médio de um crédito à habitação era de 3,2% e a Euribor a 12 meses situava-se nos 2,137%. Segundo os dados recolhidos pela plataforma ComparaJá para o Jornal de Notícias e para o Dinheiro Vivo, estes valores caíram para 1,76% e para 0,127% negativos, respetivamente. 

Contas feitas e usando um exemplo muito prático, num empréstimo de 200 mil euros a 30 anos, contratado em junho de 2011, a poupança na mensalidade ao banco ao fim destes seis anos é de 412 euros.

O que levou o custo do crédito a baixar?

No pico da crise, explica Sérgio Pereira, diretor-geral da ComparaJá, ao Dinheiro Vivo, a Euribor registava valores bem mais elevados devido à incerteza que se vivia nos mercados e também aos problemas que a banca atravessava. Para compensar os riscos, os spreads dispararam. Hoje, o cenário é diferente, justifica: “(…)o BCE tem estado a diminuir os juros para incentivar a economia. As taxas continuam a descer, até porque, apesar da retoma, ainda há muita incerteza política. Isso reflete-se depois numa diminuição no encargo mensal dos consumidores e no aumento do dinheiro disponível para as famílias.”

A tendência de queda vai continuar?

Apesar de a economia mostrar sinais de recuperação, para já, a política do BCE é de dar continuidade à política de estímulos, o que passa por manter as taxas de juros em níveis historicamente baixos.

Na mais recente reunião de política monetária do banco central do euro, o presidente Mario Draghi reforçou que a expansão económica que a Zona Euro tem registado precisa ainda de traduzir-se em dinâmicas mais fortes da inflação e que é necessário manter um nível muito substancial de apoio à economia.

Dito isto, quem vai contratar um crédito de habitação vai contar com um spread mais atrativo, mas terá também de contar com o cenário de uma subida dos juros a pagar pelo crédito quando as condições melhorarem. Mesmo que isso não aconteça no curto prazo. Será sempre um cálculo a ter em mente.

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