Inflação desacelera: o que isso significa para os portugueses?

Os preços reduziram o ritmo de subida em junho, o que pode significar boas notícias para os portugueses que não pagam tanto pelos mesmos bens e serviços caso se mantivesse o ritmo de subida. Mas haverá um lado negativo?

Publicado por Finanças | 0
IPC desacelera

Se foi ao supermercado e estranhou que a conta não foi tão elevada como estava à espera, isso pode não ter sido apenas impressão. No global, os preços dos bens alimentares e das bebidas não alcoólicas diminuíram 0,7% em junho em relação ao mês anterior. Quando comparados com o mesmo mês do ano anterior, a subida dos preços desta categoria foi de apenas 0,2%, um valor que fica bem abaixo das subidas de cerca de 2% registadas em meses anteriores.

Esta categoria de bens esteve em destaque nos dados da inflação de junho, sendo apontada pelo Instituto Nacional de Estatística como a categoria que mais contribuiu para a desaceleração dos preços em junho, quando comparado com o mesmo mês de 2016.

O índice de preços no consumidor, ou IPC, ficou pela primeira vez este ano abaixo dos 1% (foi de 0,9%) olhando para a variação homóloga de junho. Este valor mostra uma tendência de desaceleração bastante acentuada tendo em conta que a variação homóloga do IPC em maio foi de 1,5%.

Mas os alimentos e as bebidas não alcoólicas não são os únicos bens em destaque. A pesar bem menos nos bolsos dos portugueses está também a fatura dos combustíveis. Em junho, os preços dos bens energéticos, onde se enquadram os preços da gasolina e do gasóleo, recuaram 0,2%.

Os bens alimentares e os bens energéticos são categorias muito voláteis, o que significa que podem registar mudanças significativas de mês para mês. Nesse sentido, é importante olhar para o chamado indicador da inflação subjacente, que exclui precisamente estas duas categorias de produtos.

De facto, olhando para o desempenho deste indicador em junho, a desaceleração da inflação não é tão acentuada: os preços subiram 1,1% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, apenas 0,1 pontos percentuais abaixo da variação homóloga de maio.

Que peso pode ter o recuo da inflação na vida das famílias?

À partida, uma redução dos preços é uma notícia positiva para as famílias, uma vez que as faturas a pagar na aquisição de bens e serviços não serão tão elevadas como seria o caso de uma inflação mais elevada.

Mas a perspetiva de recuo dos preços poderá ter um efeito negativo na economia, uma vez que se cria a perceção de que os preços podem vir a recuar, levando as pessoas a adiarem decisões de consumo e as empresas a adiarem decisões de investimento. Perante este cenário, a economia pode estagnar com as implicações que isso tem para o emprego e para o rendimento das famílias.

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