Comparámos a lista de compras de homens vs mulheres: quem gasta mais?

As mulheres – e isto é público e notório – ganham menos do que os seus colegas masculinos apesar de efetuarem as mesmas tarefas. Não descobrimos nada de novo. O que é menos conhecido e que passa despercebido é uma tendência do consumo que discrimina as mulheres em relação aos homens, em artigos exatamente iguais. Sobretudo se se tiver em conta a lista de compras necessárias para as férias de verão.

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A denominada “taxa cor de rosa”, uma realidade

É o que normalmente se denomina por 'taxa cor de rosa'. Artigos idênticos que têm um preço diferente dependendo se vão ser usados por homens ou mulheres. Produtos e um modelo de comercialização que levam impresso uma espécie de sexismo e um paradoxo. Elas, que ganham menos, pagam mais por artigos básicos sem qualquer razão lógica.

Vejamos alguns exemplos reveladores. Se resolvermos fazer compras num supermercado qualquer, veremos claramente essas diferenças. Assim, podemos descobrir champôs para o cabelo ou géis para a barba para ele – comercializados em formatos discretos, sim, mas também elegantes – ao preço de 2,34 euros cada embalagem de 200 mililitros. Se procurarmos um produto semelhante apenas para elas, descobriremos embalagens de 200 ml mas a um preço superior: 2,61 euros.

E se observarmos as lâminas de depilação para ela, podemos ver pacotes de cinco unidades a 1,80 euros. Se procurarmos um pacote com o mesmo número de lâminas para homem, podemos encontrá-las a 1,72 euros.

A mesma escova de dentes, cor diferente, preço diferente

Alguns exemplos que confirmam as diferenças da 'taxa cor de rosa' tornam-se hilariantes quando estão relacionados com a cor associada ao mundo feminino. Assim, uma escova de dentes rosa (para raparigas) custa numa farmácia 5,94 euros; a mesma escova em cor azul para homem, exatamente igual, custa 5,78 euros.

O preço mais elevado aplicado aos artigos de grande consumo para as mulheres, não faz sentido. Tanto como o preço das luvas para lavar os pratos de casa que são mais caros quanto mais baixa é a medida. Um tamanho que costuma coincidir com o tamanho standard da mão da mulher portuguesa. As tinturarias cobram mais por uma camisa de seda de mulher do que por uma de homem à qual tem de ser aplicado o mesmo cuidado.

Também é reveladora a existência de muito poucos artigos com grande procura de consumo e que façam parte do cabaz básico de compras, cujas versões masculinas sejam mais caras do que as femininas.

As indústrias defendem estas diferenças de preços em supostas dificuldades de fabrico que estariam relacionadas com a inclusão de tamanhos que não são standard, com cores mais complicadas de aplicar ou de desenhos ergonómicos adaptados para o uso feminino que pressupõem despesas extras para os fabricantes.

No entanto, nem sempre se pode atribuir aos fabricantes essa diferença calculada nos preços dos produtos. Em muitas ocasiões, a desigualdade da 'taxa cor de rosa' é fruto de ações de marketing. Os distribuidores comerciais aplicam preços diferentes e mais altos aos produtos de consumo feminino porque sabem que elas estão dispostas a pagar mais pelo mesmo artigo. Pelo contrário, os homens, guiados por uma natureza psicológica mais prática, não estão dispostos a pagar mais.

Cêntimo a cêntimo sobe o preço da lista da compra

Somando cêntimo a cêntimo, a despesa extra de uma mulher em produtos de primeira necessidade pode alcançar valores importantes. A revista Forbes publicou um artigo há uns meses que colocava um valor à 'taxa cor de rosa'. Por ano, a mulher norte-americana paga mais 1.300 dólares do que o homem pelos mesmos produtos. Uma diferença de despesa com a qual uma mulher portuguesa poderia melhorar a sua poupança e certamente poder pagar as suas férias, um bom descanso de verão.

Nas plataformas de reivindicação de ações coletivas tais como a Change.org cada vez são mais frequentes as iniciativas particulares e de grupos sociais que chamam a atenção sobre a discriminação imposta pela 'taxa cor de rosa'. Um movimento globalizado que denuncia sobrecargas de impostos públicos sobre os produtos que são consumidos preferentemente pelas mulheres, tais como os referidos produtos de higiene, cosméticos, para o cuidado pessoal ou artigos infantis.

A 'taxa cor de rosa', vista desde qualquer prisma, dificulta a poupança e deixa assente uma situação absolutamente evidente: ser mulher também é caro em Portugal, até nos pequenos detalhes.

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