Como funcionam os ciclos económicos e os mercados de ações

Os mercados de ações sobem e descem e estas oscilações podem antecipar o início de novos ciclos económicos. Mas como funciona, então, a relação entre a economia e o mercado de ações?

Publicado por Finanças | 0
Como funcionam os ciclos económicos e os mercados de ações

Os ciclos económicos mostram que as economias não crescem para sempre, nem estão sempre em crise. Um período de prosperidade atinge um pico, seguindo-se uma fase de abrandamento ou até mesmo de uma contração que, a certa altura, baterá no fundo e recuperará. E isso revela-se nos indicadores económicos, mas também nos mercados de ações.

Olhando para a relação entre o ciclo económico e os mercados de ações, por exemplo, a crise de 2008 não teria sido uma total surpresa. Para perceber melhor o que está em causa, é importante saber como funciona cada uma destas áreas.

No caso da economia, avalia-se as condições atuais olhando para uma série de indicadores e como se têm comportado no passado mais recente. Dados como o consumo, o investimento, o emprego ou a inflação, que são divulgados periodicamente, mostram se a economia está a atravessar um período de expansão, estagnação ou recessão. Olham, portanto, para trás para avaliar as condições atuais.

Por outro lado, no caso do mercado de ações, o que os investidores estão a fazer é estimar como se vão comportar os títulos nos próximos meses. Neste caso, analisam um conjunto de dados, incluindo os indicadores económicos, mas também a saúde financeira das empresas, o sentimento do mercado e o consumo. O valor que atribuem a uma ação representa, por isso, a expectativa que têm para o desempenho dessa mesma ação no futuro. Olha-se, desta forma, para o futuro para atribuir um valor no presente.

Mercado de ações é um indicador avançado

Percebendo qual a lógica de funcionamento de cada um destes dois mercados, é fácil perceber o que acontece, por exemplo, no preciso momento em que uma economia está a enfrentar uma recessão. Esta só será visível nos indicadores económicos pelo menos um mês depois (mas com maior confiança três meses depois), quando já houver uma série para avaliar. Ao contrário, meses antes da recessão, já os investidores no mercado de ações terão antecipado uma deterioração das condições operacionais das empresas, refletindo isso no preço dos títulos. Há, então, uma queda generalizada das ações, uma fase conhecida por bear market, em oposição ao bull maket (quando as ações estão a registar ganhos generalizados).

Sendo assim, ao antecipar o que se vai passar na economia, o mercado de ações é considerado um indicador avançado. E, da mesma forma que antevê uma recessão económica, quando essa recessão está em curso, o mercado de ações poderá já estar numa fase ascendente, antecipando uma recuperação.

Ao conhecer a forma como os ciclos se processam em relação ao mercado de ações, isso pode dar pistas aos investidores. Numa altura de abrandamento ou recessão da economia, os responsáveis de política monetária adotam medidas de estímulo, como é o caso da redução das taxas de juro. Esta é uma altura em que tendencialmente os preços das obrigações sobem e as ações desvalorizam. Da mesma forma, quando as empresas e a economia começam a dar alguns sinais de inversão da tendência, esta pode ser uma boa oportunidade para comprar ações, antecipando uma melhoria do ciclo económico. Neste caso, as obrigações deixam de ser um ativo tão procurado.

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