A indústria literária portuguesa e os benefícios económicos que ela gera para o país

O mercado editorial português viu, na última década, o fecho de muitas pequenas editoras que não resistiram ao abalo da crise. As que não fecharam portas foram adquiridas por grandes grupos editoriais, que tiveram de encontrar outro circuito de venda e distribuição.

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A indústria literária portuguesa

O mercado editorial português

Segundo a consultora Informa D&B, o mercado editorial português cresceu 3,9%, em 2015, quando comparado com 2014. Foi uma boa notícia para o setor livreiro que estava em declínio desde 2008 em resultado dos poucos rendimentos disponíveis das famílias e da crescente disponibilização de conteúdos na Internet.

Estado da edição de livros

De acordo com um comunicado do INE de dezembro de 2016, a edição de livros representava, em 2014, 0,8% das empresas culturais e criativas portuguesas, correspondendo a 7,9% (isto é, 354 118 euros) de volume de negócios, nesta área. Do total de volume de negócio, 19 570 provinham de royalties.

Em números efetivos, havia 636 livrarias que faturaram 138 236 euros; e 423 editoras livreiras, sendo que a maioria delas estava concentrada na área metropolitana de Lisboa (269).

O mercado tradicional da publicação, em Portugal, baseia-se na compra de direitos de bestsellers internacionais que já comprovaram a sua rentabilidade, por isso são apostas ganhas das editoras. Por conseguinte, à semelhança de outras áreas de atividade, a balança comercial de bens culturais era deficitária. Os “Livros, brochuras e impressos semelhantes” movimentavam 33,5 milhões de euros, o que representava mais de metade (58,8%) das exportações de bens culturais. No entanto, as importações, que vinham quase na totalidade da União Europeia (94,1%), atingiram os 43,5 milhões de euros.

Em 2015, as Câmaras Municipais despenderam 392,2 milhões de euros em atividades culturais e criativas, o que denota um aumento de 38,8 milhões de euros em relação a 2014 para a cultura, mas somente 1,9% do orçamento foi destinado a livros e publicações. Este fraco investimento é notório nos fundos documentais das bibliotecas públicas municipais. Raras são as bibliotecas com títulos recentes, o que tem forte impacto na captação de jovens leitores. De qualquer modo, foram os municípios das regiões do Alentejo que receberam a maior fatia do orçamento 2015 para a dinamização cultural e criativa.

No ano de referência, 10,6% da população empregada nas atividades culturais e criativas trabalhava na edição de livros, de jornais e de outras publicações, ou seja, 2274 pessoas, todavia apenas 8,1% desempenhava funções de autores, jornalistas ou linguistas. 

Futuro do livro

Os e-books não tiveram o efeito demolidor que se adivinhava e o papel sobrevive aos tempos. Mas, hoje, a função do editor tem de ser reinventada, para contornar a queda das vendas. Inventam-se festivais literários, fazem-se parcerias com companhias de teatro, pede-se apoio institucional.

No próximo dia 26 de março celebra-se o Dia do Livro Português. Há quanto tempo não lê um livro? Se não pode comprar, troque livros com familiares ou amigos ou vá até á biblioteca pública mais próxima. Celebre o dia, lendo bons autores portugueses.

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